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HAHAHAHA!!

  • 24 de ago. de 2016
  • 1 min de leitura

Não gosto de viver. Viver não existe, é uma falsa perspectiva que criamos em uma infância colorida, é uma falsa narrativa que vem nos enfiando goela abaixo. Aí, para não ficar tão feio para os mentirosos, criaram os contos de fadas, os filmes, as músicas, os escritores, os poetas, criaram todo esse circo de entretenimento para nos colocarmos dentro dessa névoa de que viver é bom; que viver é maravilhoso; magnífico — que viver é isso e o caralho a quatro. Não está vendo? Viver é ter que se preparar para uma desgraça atrás da outra; é estar em estado de emergência; é ter que ressuscitar, incansavelmente. É não viver, é esperar pelo tempo do altíssimo, pelo tempo dos homens, pelo futuro. Viver é correr para frente, é esquecer de olhar para trás, é erguer a cabeça, é sorrir, é ser gargalhadas de deuses e deusas, é virar piada na mão de deus, tornar-se fofoca de santos. Esse sistema é uma merda e eu não quero ser obrigado a segui-lo. Culpo esses dois-três amigos e aquele carinha com potencial e até com ascensão a namorado. É por eles que respiro com dificuldade; que não desligo os equipamentos. Enfim… viver é se acomodar no desconfortável.


 
 
 

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